Edgar

Padrasto preso pela morte do enteado responde na Justiça por tentar matar a mãe do menino a facadas.

Publicado em Goiânia
Sábado, 01 Agosto 2020 12:11

Reginaldo Lima dos Santos, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito de matar o menino Danilo de Sousa Silva, de 7 anos, afogado em lama, responde no Judiciário goiano por tentativa de feminicídio contra a mãe do garoto, Gracilene Almeida da Silva. Ele e um servente de pedreiro, acusado de auxiliar a matar a criança, foram presos na sexta-feira (31).

O processo sobre a tentativa de feminicídio tramita no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher desde outubro de 2018. À época, ele foi preso preventivamente por causa de mandado de prisão expedido pelo juiz do caso, conforme informações disponibilizadas no site do Tribunal de Justiça de Goiás.

Segundo o delegado Rilmo Braga, o suspeito tentou matar a mãe do garoto a facadas, mas não obteve detalhes do crime porque a investigação foi conduzida pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).

Caso Danilo

Segundo a família contou à Polícia Civil, Danilo sumiu no último dia 21 de julho ao sair para ir à casa da avó. Seis dias depois, um corpo foi encontrado na região e, no dia seguinte, a corporação confirmou que se tratava da criança que estava desaparecida.

Três dias depois de o corpo ser achado, na sexta-feira, Reginaldo e o servente de pedreiro Hian Alves de Oliveira, que morava na mesma rua da vítima, foram presos suspeitos de matar Danilo. De acordo com a Polícia Civil, o padrasto sentia aversão à criança e teria cometido o crime por diversos desentendimentos anteriores com o menino. Já o comparsa, auxiliou as agressões por motivos financeiros.

Ao chegar à Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), o padrasto disse que é inocente. Já Hian, em depoimento, confessou que auxiliou Reginaldo a segurar o menino para ser agredido pelo padrasto na mata e, para isso, receberia uma moto e um carro como pagamento.

"No dia da morte do menino, eu estava trabalhando na obra. O padrasto arrastou o menino lá para dentro [da mata] e machucou ele com um pau. Fui até a beirada da mata para levar o menino, segurando pelo braço. Depois, fui trabalhar e ele ficou com o menino na mata", detalhou Hian Alves.

Investigação

O delegado Rilmo Braga, titular da DIH, delegacia responsável pela força-tarefa montada para solucionar o caso, explicou que o padrasto estava insatisfeito com a convivência com o menino e tinha aversão aos dois enteados. Ao todo, a família era composta por seis crianças, sendo que apenas quatro eram fruto da relação de Reginaldo com a mulher.

Braga descartou, neste momento, a prática de violência sexual contra o menino durante o crime. "Por hora, está descartada conotação de crime sexual. As lesões encontradas no corpo do menino pela perícia não apontam diretamente para este tipo de ato", explica o delegado.

O delegado Ernane Oliveira Cazer, que também investiga o caso, descreveu a participação do servente de pedreiro. "O padrasto prometeu uma moto e um carro para Hian ajudá-lo. Ele, então, esperou o padrasto e o menino entrarem na mata e, depois, foi ao local para ajudar a segurar a criança, enquanto o padrasto machucava o menino, por pura maldade", detalhou o investigador.

Rilmo Braga explica que Hian trouxe revelações que somente uma pessoa que esteve no local do crime poderia saber. "A outra testemunha, que será guardada em sigilo por se tratar de um adolescente, presenciou o adentramento dos suspeitos na mata", esclarece o delegado.

Parentes desse adolescente, de 13 anos, revelaram que ele teria visto Danilo no campinho de futebol do bairro no dia em que o garoto desapareceu. Após o crime, o menino viajou para a casa de parentes no Tocantins. Por isso, segundo a família, policiais foram buscá-lo para que ele prestasse depoimento.

Os dois detidos estão detidos na DIH. Eles foram presos pelo crime de ocultação de cadáver em conexão com homicídio qualificado.

Asfixiado na lama

A perícia feita no corpo e no local que ele foi encontrado apontaram que Danilo foi asfixiado em lama, como explicou o gerente do Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia, o médico legista Mário Eduardo Cruz. Segundo ele, o corpo do menino estava no local há alguns dias - entre sete e dez.

"A causa da morte a gente consegue precisar. Durante a necrópsia, nós encontramos presença de lama tanto na cavidade oral como na traqueia. Isso configura a mudança do meio respirável, então, asfixia por afogamento", explicou.

Velório
Danilo foi enterrado no Cemitério Municipal Vale da Paz, em Goiânia, na tarde de quarta-feira (29). Durante o velório, os padrasto se mostrou inconsolável e precisou ser amparado por dois homens.

Já a bisavó do garoto, Maria de Almeida Silva, estava emocionada. "Esquecer, nós nunca vamos esquecer, mas Deus vai consolar a gente porque a aflição é muito grande", relatou emocionada.

Pai do menino, Damião Sousa e Silva mora no Pará e não teve condições de ir ao velório e enterro do filho, mas também disse que lembra do filho como uma criança diferente. “Na época que eu saí daí ele só tinha 2 anos de idade, mas era um menino especial”, afirmou.

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