Edgar

Dois advogados são mortos a tiros em escritório de advocacia, em Goiânia.

Publicado em Goiânia
Quinta, 29 Outubro 2020 09:53

Testemunhas contaram que os falsos clientes que mataram dois advogados em um escritório de Goiânia simularam um assalto para atrapalhar as investigações e tentar esconder as reais intenções dos criminosos, segundo o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás, Thales Jayme. Uma força-tarefa foi criada para investigar o caso.

Marcus Aprígio Chaves, de 41 anos, e Frank Alessandro Carvalhaes de Assis, de 47, foram mortos na quarta-feira (29). Segundo a polícia, dois homens se passaram por clientes, marcaram horário para serem atendidos.

“Uma pessoa do escritório disse que os dois homens entraram na sala e simularam um assalto. O Marcus entregou R$ 2 mil a ele e achou que ele iria embora, mas eles mandaram chamar o Frank. Em seguida, os dois se sentaram e foram baleados”, disse Thales Jayme, que acompanha as investigações pela OAB.

Para o advogado, a verdadeira intenção dos criminosos era matar os advogados. "Com certeza essa simulação de assalto foi para tentar enganar. Eles queriam, realmente, matar o Marcus e o Frank. É preciso agora saber a motivação", disse Jayme.

A Polícia Civil já começou a ouvir testemunhas para tentar esclarecer o caso. Uma força-tarefa composta por cinco delegados e 30 policiais civis foi montada fazer as investigações. Não foram repassados detalhes pois o caso é mantido em sigilo para não prejudicar as investigações.

Marcus Aprígio Chaves é filho do desembargador Leobino Valente Chaves, ex-presidente do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). Ele foi velado e enterrado no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia.

Já o colega, Frank Alessandro Carvalhaes de Assis, está sendo velado em Inhumas. O enterro está marcado para as 10h.

 

Luto

Entidades e autoridades manifestaram os sentimentos aos familiares e cobraram uma investigação rígida sobre o caso.

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional de Goiás (OAB-GO), repudiou o que considera uma crescente escalada de violência contra a advocacia.

"Cobramos das autoridades competentes célere elucidação, para que os responsáveis sejam levados às barras da Justiça e exemplarmente punidos", diz o comunicado da OAB-GO.

De acordo com a nota, a Ordem dos Advogados do Brasil acredita que as características do crime sugerem premeditação, o que agravaria a afronta contra a classe.

O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Walter Carlos Lemes, decretou luto oficial no Poder Judiciário desta quarta-feira até sexta-feira (30). Lemes também prestou consternação no meio judiciário goiano pelo falecimento dos advogados e afirmou que "ao longo de suas carreiras, prestaram relevantes serviços à Justiça goiana".

Em comunicado oficial, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou que "o ocorrido será apurado com todo o rigor da lei" e que as autoridades policiais não medirão esforços para "prender os responsáveis por este ato tão bárbaro".

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