Edgar

Atentados nas eleições do Afeganistão deixam cinco mortos e 37 feridos.

Publicado em MUNDO
Domingo, 29 Setembro 2019 00:36

CABUL- O Afeganistão foi às urnas neste sábado no primeiro turno da eleição presidencial, em meio a acusações de fraudes, alta abstenção e atentados, que já causaram cinco mortes e 37 feridos. A votação acontece enquanto as discussões entre o Talibã e os Estados Unidos estão estagnadas, afastando a perspectiva de um diálogo entre o governo e os insurgentes para alcançar a paz.

O Talibã — derrubado do poder na invasão americana de 2001, quando foi acusado de ter dado abrigo a Osama bin Laden , líder da al-Qaeda responsável pelos atentados do 11 de Setembro — lançou advertências aos cerca de 9,6 milhões de eleitores, numa tentativa de dissuadi-los de ir às urnas. Na quinta-feira, o grupo havia afirmado que seus combatentes iriam atacar os "escritórios e centros [de votação]".

E eles, de fato, atacaram. Segundo as autoridades, foram realizadas ações com granadas e bombas, que deixaram cinco mortos e 37 feridos no Sul do país, área de grande influência do Talibã. Mas, segundo as autoridades, foram atos esporádicos.

— Houve menos ataques do inimigo em comparação com as eleições anteriores — observou o ministro da Defesa, Asadullah Khlaid, evocando os 60 mortos durante as legislativas de 2018.

O Ministério do Interior enviou 72 mil homens para monitorar os quase 5 mil centros eleitorais em todo o país. Além disso, desde quarta-feira à noite, todos os caminhões e vans estão proibidos de entrar na capital para evitar atentados com veículos.

— Sei que existem ameaças, mas as bombas e ataques fazem parte do nosso dia-a-dia — disse à AFP Mohuiudin, eleitor de 55 anos em Cabul. — Não tenho medo, se queremos mudar nossas vidas, temos que votar.

A campanha eleitoral começou no final de julho marcada por um atentado que deixou 20 mortos. Desde então, mais de cem pessoas morreram em ataques reivindicados pelo Talibã.

Além do temor de ataques e de fraudes, os eleitores também enfrentaram problemas com o processo de votação, que, este ano, introduziu um sistema de biometria. Muitos relatam que seus dados não estavam inseridos no sistema, além de máquinas quebradas e fiscais de mesa que chegaram ao dia da eleição sem terem recebido treinamento. Em alguns locais de votação na capital, Cabul, houve filas, obrigando as autoridades a prorrogarem o termino da votação em até duas horas.

Um desses eleitores foi Safiullah Safi. No processo eleitoral do Afeganistão, os eleitores têm um dos dedos pintados com uma tinta que só desaparece após algumas horas, como forma de impedir que vote novamente. Em 2014, em meio a uma campanha de violência, o Talibã cortou a falange do dedo indicador de Safiullah, como forma de punição por ele ter votado na eleição presidencial daquele ano. Neste sábado, ele foi novamente à seção eleitoral em Cabul.

— MInha família me disse para não ir votar dessa vez, mas ao invés disso eu levei todos eles para votar comigo.

Quarta eleição presidencial

Esta é a quarta eleição presidencial desde 2001. Dezoito candidatos aspiram a tornar-se chefe de Estado com um mandato de cinco anos, mas o atual presidente, Ashraf Ghani , e seu primeiro-ministro, Abdullah Abdullah , se destacam como favoritos.

Após votar, o presidente declarou que "essa eleição abrirá o caminho para avançarmos em direção à paz com verdadeira legitimidade".

Ghani está confiante de que uma reeleição o tornará um interlocutor indispensável para negociar com o Talibã, que até o momento se recusou a incluí-lo no diálogo por considerá-lo um "fantoche" de Washington.

Ghani e Abdullah já se enfrentaram em 2014, numa votação marcada por irregularidades tão graves que os Estados Unidos impuseram a criação do cargo de chefe do Executivo, agora ocupado por Abdullah, que terminou em segundo lugar na época.

As autoridades afegãs asseguraram que tomaram as medidas necessárias para evitar fraudes, empregando toda uma bateria de meios técnicos, incluindo leitores biométricos. Os resultados preliminares da votação serão conhecidos em 19 de outubro e os resultados finais em 7 de novembro. Se nenhum candidato obtiver 51% dos votos, um segundo turno será realizado com os mais bem votados,

O futuro chefe de Estado assumirá as rédeas de um país em guerra, em que 55% da população vivia em 2017 com menos de dois dólares por dia e no qual o conflito com os insurgentes matou mais de 1.300 civis no primeiro semestre de 2019, segundo a ONU.

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